"...Naturalmente, é muito pouco provável que você um dia tropece numa criatura de outro planeta. Não sabemos nem mesmo se há vida em outros planetas. Mas pode ser que você um dia tropece em si mesmo. Pode ser que um belo dia você pare o que está fazendo e passe a se ver de uma forma completamente diferente. E pode ser que isto aconteça justamente "hoje" ?
“Sou uma criatura estranha”, você irá pensar. “Sou um animal misterioso…”
E então vai ser como acordar de um sono de anos. Como o da Bela Adormecida. “Quem sou eu?”, você irá se perguntar. Você sabe que viaja pelo universo num planeta. Mas o que é o universo?" ..."
"...Para as crianças, o mundo – e tudo o que há nele – é uma coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêem a coisa dessa forma. A maioria deles vivencia o mundo como uma coisa absolutamente normal.
E precisamente neste ponto é que os filósofos constituem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele ou para ela o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de secreto. Os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a sua vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê..."
Um dos meus trechos prediletos de um dos meus livros preferidos, "O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
ResponderExcluir/Lulis