Ela estava deitada, e não conseguia se mover.
Ela sentia a doença lhe corroendo por dentro, e sentia minuciosamente cada pedacinho de seu corpo deixando de responder, e embora estivesse de olhos abertos não conseguia enxergar, ela ouvia vozes, e uma lhe era familiar, era sua mãe, em prantos, a lamentar a morte de sua filha.
Ela ficou pasma por um momento,e sentiu uma força estranha que lhe puxava para fora de seu corpo, era como se ... ela estivesse sendo sugada pela areia movediça.
Ela sabia que aquilo era morrer, apesar de nunca ter sentido essa sensação, de certa forma lhe causava uma estranha euforia pois ela finalmente estava a um instante de sanar todas as dúvidas que permearam sua existência.
Ela relutava para não sair de seu corpo, porque sabia que uma vez que estivesse fora, jamais voltaria.
Ela sentia medo, e dor,a dor era exclusivamente causada pelo pranto de sua mãe, ela nunca imaginou que causaria tanto sofrimento a alguem que amava tão irremediavelmente. Mas o medo, do desconhecido, lhe trazia pavor, e de súbito, ela descobriu todos os mistérios do universo, e notou que morrer não lhe traria dor, que a grande dor da existência era nascer...
Nesse momento ela se entregou ao desconhecido e a sombra lhe consumiu...
domingo, 23 de agosto de 2009
A morte
O que me alimenta, me destrói?
Certos sofrimentos são prazerosos, mesmo na dor...
O que nos leva a sentir prazer em sentir a dor. É como cutucar a casquinha do machucado, você sabe que quando cutuca, ela demora mais pra cicatrizar, sabe que vai sangrar, que vai arder, mas é mais forte que você, você quer extrair o máximo de diversão que puder a partir dela.
O que nos leva a abrir feridas que já estão quase cicatrizadas? Ou será que a cicatrização é apenas externa, e naquela região sempre ficara uma pele diferente do restante do corpo.
O sofrimento é alimento da alma, assim como todos os outros sentimentos...
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